Divulgação/SindiTabaco
Seminário aconteceu em Brasília e contou com a presença de representantes gaúchos
Promovido de forma conjunta pelas comissões de Seguridade Social e Família e de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, da Câmara Federal, o seminário que versou sobre os artigos 17, que trata do apoio a atividades alternativas economicamente viáveis, e 18, que prevê a proteção ao meio ambiente e à saúde, da Convenção Quadro para Controle do Tabaco, ocorrido na quarta-feira, 28, em Brasília, continua repercutindo entre as lideranças do setor produtivo.
O presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Albano Werner, frisa que o encontro oportunizou a disseminação de informações sobre a importância social e econômica da atividade fumageira. “Ficamos surpresos com o tamanho do desconhecimento sobre o setor, principalmente entre os parlamentares que formam a Comissão de Seguridade e Família”, diz. Segundo o dirigente, foi a primeira vez que houve uma exposição de dados sobre a cadeia produtiva feita por entidade ligada diretamente ao setor.
Os números revelados pelo presidente da Afubra expressam a existência de quase 160 mil produtores que, multiplicados pelamédia familiar de 4,3 pessoas, elevam para 688 mil o contingente de indivíduos dependentes da atividade no seio rural. Alia-se a isso, segundo dados do Fentifumo, outras 34.700 pessoas, entre efetivos e safristas, que trabalham nas indústrias. Esses dados, expressa Werner,impressionaram muito os parlamentares, alguns deles mesmo sendo médicos. Também foi exposto os valores arrecadados em forma de tributos, cujo valor, em 2013,suplantou R$ 10,7 bilhões, e a geração de divisas, cujo montante, neste mesmo ano, atingiu U$ 3,273 bilhões.
O dirigente também frisou a receita brutaobtida pelos produtores na safra 2012/13, que chegou a R$ 5,307 bilhões. Uma tabela com ocomparativo entre a receita, custo de produção e lucratividade da lavoura de tabaco também foi analisada. No caso da variedade virgínia, ressalta Werner, a rentabilidade obtida pelos fumicultoresfoi de 22,7%. Para os produtores deburley, o índice foi superior a 40%.
O resultado financeiro da safra passada, no entanto, foi ainda mais elevado. Inseridas na planilha do custo de produção, a mão-de-obra familiar, que representa 85% do total utilizado pelo produtor, e o consumo de lenha própria, mostram, de acordo com Werner, umaentrada maior de dinheiro,visto que não provocamdesembolso.
Outro comparativo frisado pelo dirigente enfocou os cultivos do tabaco e da soja, cujo preço médio atual é de R$ 1,15/kg e produtividade de 3.206 kg/ha.“Se os fumicultores, que cultivaram 372 mil hectares de tabaco e que gerou uma receita de R$ de 5,307 bilhões na safra 2012/13, tivessem cultivado soja, a área necessária para atingir a mesma receita chegaria a 1 milhão e 487 mil hectares”, complementa Werner.
Finalizada a apresentação, o presidente da Afubra registrou a sugestão de criar um grupo de trabalho com o propósito de promover estudos exclusivamente sobre a diversificação. Ele seria coordenado pelos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Rural e teria como participantes, além da própria Afubra, a Emater, Fepagro, Embrapa, Federações e os Sindicatos Rurais e dos Trabalhadores Rurais.
Sinditabaco esteve presente
Romeu Schneider-Presidente da Câmara Setorial do Tabaco criticou a falta de conhecimento sobre o setor. “Falta equilíbrio e conhecimento. Não posso aceitar a afirmação que o tabaco é uma monocultura. Assim como não pode ser verdadeira a informação que o Brasil gasta 21 bilhões em saúde pública em virtude do tabagismo. É preciso equilibrar essa discussão e conhecer melhor o setor”, disse. “Precisamos convergir a discussão, mas para isso precisamos saber o que está sendo discutido, os representantes dos produtores querem participar desse debate daqui para frente”, criticou Schneider.
O presidente do SindiTabaco, Iro Schünke, esclareceu temas relacionados aos aspectos sociais e ambientais. “O tabaco é economicamente viável e o setor do agronegócio que mais trabalha os aspectos sociais e ambientais. Temos fontes oficiais que demonstram isso. Somos a cultura que mais avançou no combate ao trabalho infantil, segundo a OIT; a que menos utiliza agrotóxicos, segundo o Sindag e o IBGE; pioneiros em acordos com o Ibama. Por tudo isso, se o governo quiser diversificar, a cultura do tabaco deve servir como exemplo”, disso Schünke que também pediu que haja mais de transparência na posição brasileira que se vai levar à COP.














