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Haiti: militares se despedem dos familiares

Luana Ciecelski
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A partir de hoje, 13 de novembro, uma turma de 126 militares de Santa Cruz do Sul começa a embarcar rumo ao Haiti, na América Central. Eles fazem parte do 21º contingente brasileiro a ir para a missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) realizada no país, e na manhã da última terça-feira, 11 de novembro, todos eles viveram um momento especial, a despedida oficial. Centenas de familiares estiveram presentes no 7º Batalhão de infantaria Blindado (BIB) em uma solenidade marcada por lágrimas e abraços.
Identificados pelos bonés azuis celeste da ONU, os militares participaram de uma formatura, cantaram o hino da tropa e finalizaram a manhã com um coquetel, onde se reuniram com pais, mães, esposas, namoradas, filhos e irmãos que foram até o batalhão para homenageá-los e desejar-lhes sorte.
Durante a solenidade, o comandante do 7º BIB, Tenente Coronel Roberto Glicério Cabral Junior, falou sobre o trabalho das tropas brasileiras no Haiti. “Vocês vão a uma missão humanitária para cumprir um dever”, falou diretamente aos enviados. “Desde 2004 as tropas brasileiras vêm realizando um trabalho intenso de pacificação. O resultado é o que se vê nas mídias. Após dez anos de esforços, a situação está muito mais estável no Haiti”, comentou também.
Por fim, o comandante desejou boa sorte aos militares e falou aos familiares presentes, explicando que o batalhão estará à disposição e oferecerá o apoio que for necessário.

Fotos: Luana Ciecelski

Militares cantaram o hino da tropa durante a solenidade

Os que vão e os que ficam

Ao fim da solenidade, Andréia Torres e a filha Maria Eduarda Torres aproveitaram para abraçar bastante o esposo e pai, o Sargento Edenilton Torres, que embarcará no dia 27 de novembro, numa das últimas turmas. Para Edenilton, a expectativa é grande. “Apesar de todas as dificuldades, é o sonho de qualquer militar ter essa oportunidade”, falou ele, mas para a família, a distância não será fácil. “O jeito vai ser tentar a comunicação pela internet”, explicou Andréia.
Para o jovem casal Ruy Villaça e Yasmin Gadum, essa distância será difícil, mas aceitável, já que estão acostumados. “Eu sou de São Paulo, então já namoramos à distância por um tempo”, explicou Yasmin. Mesmo assim, o casal não poupará esforços para manter a comunicação. “Vamos utilizar muito Skype e WhatsApp. Além disso, na metade do tempo que eu estiver lá, talvez ela consiga ir para me visitar”, conta Ruy.


Andréia, Sargento Edenilton e Maria Eduarda Torres se preparam para os seis meses de saudade


Ruy e Yasmin já namoraram à distância e voltarão a utilizar a internet para se comunicar

A missão

No total, os 126 militares embarcarão em sete grupos. A primeira turma já segue para Porto Príncipe, capital do Haiti, hoje, 13 de novembro, e a última embarcará no dia 29, para que no dia 5 de dezembro inicie oficialmente o trabalho de paz.
Esse será o 3º contingente santa-cruzense a seguir para a missão. No Haiti, os militares serão responsáveis por manter o trabalho de paz que vem sendo realizado desde 2004, quando o BRABAT (Brasilian Battalion, ou Batalhão Brasileiro) 01, foi pela primeira vez para restaurar a ordem do país que sofreu com um período de insurgência e a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide.
Ao todo, a equipe permanecerá lá por seis meses, tempo em que desenvolverão ações humanitárias como distribuição de mantimentos e água para a população. Além disso, oferecerão apoio à polícia haitiana para manter o ambiente seguro e estável, trabalharão no fortalecimento e na prática de direitos humanos, auxiliarão na reconstrução e desenvolvimento do Haiti, e também na escolta de comitivas e de suprimentos.
Para realizar esse trabalho, segundo o major Felipe Ribeiro da Silva, que também está embarcando para a missão, entre os dias 13 e 31 de outubro, o grupo ainda realizou um intenso treinamento em Santa Maria, onde foram aprimorados os conhecimentos que serão necessários para executar as tarefas no Haiti. “Passamos por uma série de treinamentos, entre eles, de patrulhas motorizadas, patrulhas a pé, controle de distúrbios, as chamadas checkpoint, que são como blitz, enfim, uma série de atividades que serão desenvolvidas com a polícia nacional do Haiti”, explica Ribeiro.
 


Solenidade foi marcada pela emoção dos familiares