
Foto: Divulgação/SindiTabaco
O Rio Grande do Sul está próximo de atingir a marca de 1 milhão de hectares de florestas plantadas, consolidando sua posição entre os principais estados brasileiros na atividade florestal, segundo informações do Sindimateira-RS. Os dados apresentados demonstram que o setor florestal gaúcho possui valor de produção próximo de R$ 3,5 bilhões e movimenta cerca de R$ 30 bilhões por meio da cadeia industrial associada.
Nesse cenário, os produtores de tabaco também desempenham papel relevante na formação da base florestal do Estado. Dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) mostram que o reflorestamento é uma prática consolidada nas propriedades produtoras, integrando um modelo de produção baseado na diversificação, na sustentabilidade e na geração de renda.
De acordo com levantamento da safra 2024/2025, a propriedade média produtora de tabaco na Região Sul possui 14,6 hectares, dos quais 8% são destinados a florestas plantadas. Considerando os cerca de 70 mil produtores de tabaco do Rio Grande do Sul, estima-se que essas famílias mantenham aproximadamente 82 mil hectares de áreas reflorestadas. O número equivale a 8,2% de toda a área de florestas plantadas existente atualmente no Estado, evidenciando a participação dos produtores de tabaco em uma atividade que se tornou estratégica para a economia gaúcha.
Além da relevância econômica, os números revelam uma característica marcante das propriedades produtoras de tabaco: a diversificação. Embora o tabaco ocupe, em média, 21,4% da área da propriedade, os produtores também cultivam grãos, mantêm áreas de pastagem, produzem alimentos e preservam recursos naturais. Segundo a Afubra, as áreas destinadas à conservação e à atividade florestal representam juntas 22,7% da propriedade média, sendo 14,7% compostas por mata nativa e 8% por florestas plantadas.
Para Fernanda Viana Bender, assessora técnica do SindiTabaco e engenheira agrônoma, esses dados demonstram que a produção de tabaco está inserida em um sistema produtivo equilibrado e alinhado às demandas de sustentabilidade, além de representarem um potencial de renda extra. “As florestas plantadas fazem parte da realidade das propriedades produtoras de tabaco há décadas. Além de contribuírem para a diversificação da renda, elas garantem uma fonte renovável de energia utilizada na cura do tabaco e reforçam o compromisso das famílias produtoras com a sustentabilidade e a conservação ambiental”, afirma.
Desde a década de 70, a cadeia produtiva do tabaco investe em reflorestamento para garantir o suprimento de biomassa renovável utilizada no processo de cura. Essa estratégia permitiu desenvolver um modelo de autossuficiência energética nas propriedades e proteger recursos florestais nativos.
Quando considerada a produtividade média do setor florestal gaúcho, a área reflorestada mantida pelos produtores de tabaco no Rio Grande do Sul representa um potencial econômico estimado em cerca de R$ 286 milhões em valor de produção, evidenciando que a atividade florestal também integra a estratégia de geração de renda das propriedades rurais.
Contribuição se amplia em toda a Região Sul
A relevância da cadeia produtiva do tabaco para o setor florestal torna-se ainda mais expressiva quando observada em escala regional. Considerando os aproximadamente 133 mil produtores de tabaco distribuídos entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, a área reflorestada presente nas propriedades pode ser estimada em cerca de 156 mil hectares. Tomando como referência a produtividade média observada no setor florestal gaúcho, essa área corresponde a um potencial econômico superior a R$ 540 milhões em valor de produção.
“Os números evidenciam como diferentes cadeias produtivas podem atuar de forma complementar. Ao mesmo tempo em que o Brasil lidera as exportações mundiais de tabaco há mais de três décadas, milhares de produtores contribuem também para o fortalecimento do setor florestal, para a conservação ambiental e para a diversificação econômica das regiões rurais”, comenta.













